Mercados mundiais operam em baixa em meio à temporada de balanços

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Os mercados mundiais amanhecem nesta quinta-feira (6) no campo negativo, em meio à cautela dos investidores com os juros no Brasil e ao cenário político nos Estados Unidos.

Nos EUA, os índices futuros recuam após a alta de ontem (5) e enquanto os agentes digerem os sinais da Suprema Corte do país de que pode revisar as tarifas impostas pelo presidente Donald Trump. O tom da audiência animou parte do mercado, que viu na medida uma chance de reversão da política comercial agressiva do republicano. Ações de tecnologia ligadas à inteligência artificial reagiram positivamente, com destaque para AMD (+2%), Broadcom (+2%) e Micron (+9%), após resultados acima das expectativas.

No Brasil, o mercado digere a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central de manter a taxa Selic em 15% ao ano pela terceira reunião seguida, nível mais alto desde 2006. O comunicado com tom mais duro aumentou as apostas de que os juros continuarão elevados, o que tende a pesar sobre a Bolsa e a curva de juros.

O foco internacional também se volta para a abertura da Cúpula de Chefes de Estado da COP30 (Conferência das Nações Unidas para Mudanças Climáticas), em Belém (PA), que reúne líderes de mais de 190 países para discutir metas climáticas e transição energética.

Na agenda doméstica, saem hoje o Índice de Variação de Aluguéis (Ivar) de outubro, os dados da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) sobre produção e vendas de veículos, e a balança comercial do mês. Entre os balanços corporativos, o destaque vai para Petrobras, Suzano, Renner e Magalu.

Brasil

Ibovespa encerrou a quarta-feira (5) com alta de 1,72%, aos 153.294 pontos, marcando o maior patamar nominal da história e a 11ª alta consecutiva. O índice chegou a 153.583 pontos na máxima do dia, apoiado pelo desempenho de blue chips como Vale (VALE3) e Petrobras (PETR4), além de forte avanço dos bancos.

O movimento reflete o otimismo dos investidores diante de balanços corporativos positivos e do apetite ao risco no exterior, em um pregão marcado pela expectativa da decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central.

Depois do fechamento da Bolsa brasileira, o colegiado divulgou a decisão, já esperada, de manter a taxa Selic em 15% ao ano. O Comitê ressaltou que “os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, seguem mais elevados do que o usual”, citando a possibilidade de desancoragem das expectativas, resiliência dos serviços e impactos de políticas econômicas internas e externas sobre o câmbio.

No câmbio, o dólar à vista recuou 0,69%, cotado a R$ 5,3614.

Europa

As bolsas europeias operam no campo negativo, com investidores aguardando a decisão sobre juros do Banco da Inglaterra.

STOXX 600: -0,27%
DAX (Alemanha): -0,38%
FTSE 100 (Reino Unido): -0,04%
CAC 40 (França): -0,71%
FTSE MIB (Itália): -0,42%

Estados Unidos

Os índices futuros dos EUA começam a quinta-feira no campo negativo, após os principais indicadores de Nova York terem fechado no azul na véspera. Com o governo estadunidense paralisado, os agentes continuam focando na temporada de balanços corporativos, com atenção voltada às empresas do setor de viagens, como Expedia e Airbnb, e também à Vistra, que vem expandindo sua atuação no segmento de data centers com foco em inteligência artificial (IA).

Dow Jones Futuro: -0,25%
S&P 500 Futuro: -0,29%
Nasdaq Futuro: -0,42%

Ásia

As bolsas da Ásia-Pacífico fecharam em alta nesta quinta-feira, recuperando as perdas da véspera, impulsionadas por dados econômicos positivos dos Estados Unidos que reacenderam o apetite por risco. O resultado trouxe investidores de volta a índices que vinham próximos das máximas históricas. O temor de uma bolha nas ações de tecnologia diminuiu temporariamente, com analistas avaliando que a recente correção não indica desequilíbrio estrutural. O movimento reflete maior confiança no cenário global. A recuperação reforça a percepção de estabilidade após a volatilidade anterior.

Shanghai SE (China), +0,97%
Nikkei (Japão): +1,34%
Hang Seng Index (Hong Kong): +2,12%
Nifty 50 (Índia): -0,24%
ASX 200 (Austrália): +0,30%

Petróleo

Os preços do petróleo operam perto da estabilidade após dois dias de queda, com os investidores avaliando os cortes de preços do principal produtor, a Arábia Saudita, e o maior aumento nos estoques dos EUA desde julho.

Petróleo WTI, +0,12%, a US$ 59,67 o barril
Petróleo Brent, +0,06%, a US$ 63,56 o barril

Agenda

Com o governo dos EUA paralisado há mais de um mês, o foco do dia são a temporada de balanços e discursos de membros do Fed (Federal Reserve, o banco central estadunidense), e do ex-secretário do Tesouro dos EUA, Henry Paulson, em um fórum de habitação no National Press Club, em Washington.

Na Europa, a aguardada a decisão do Banco da Inglaterra sobre os juros.

Por aqui, no Brasil, com a taxa Selic mantida em 15% ao ano, o Brasil segue com a segunda maior taxa de juros reais do mundo, atrás apenas da Turquia. Segundo o ranking da MoneYou e da Lev Intelligence, os juros reais brasileiros subiram para 9,74% ao ano, enquanto os turcos atingiram 17,80%. O país continua à frente de economias como Rússia, Argentina e Índia.

*Com informações do InfoMoney e Bloomberg





Fonte: ICL Notícias

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